Sexta-feira, 16 de Junho de 2017

A moedinha

A mãe havia-lhe dado uma moeda de 50 cêntimos. E entrou com o miúdo na farmácia. Enquanto ela fazia o pedido, a criança dirigiu-se à máquina de pesar e, sem que a genitora desse conta, meteu a moeda. O aparelho fez a função dele e cuspiu um papel, e o petiz ficou sem a moeda. Ao ouvir o barulho do equipamento, a educadora olhou e exclamou:

- Ó filho, gastaste a moedinha? E agora? Não vai devolver.

O garoto foi ao botão de devolver a meda e carregou. Não saía nada. Então, num ato de inteligência ingénua, pôs o papel de novo no orifício de onde este havia saído e foi subindo, subindo, na esperança de que o engenho sugasse o papelito e devolvesse a moedinha.

Não surtiu efeito e o puto ficou desiludido. Mas logo a mãe o chamou para irem embora e lá foi ele resignado, pronto para outra aventura.


publicado por Cris às 23:55
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Domingo, 4 de Junho de 2017

Gosto ou Necessidade?

Não adianta nada dizer que no meio é que está a virtude. Gosta-se mesmo é dos extremos, da iminência do abismo...


publicado por Cris às 18:00
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2017

O perigo dos diminutivos e das alcunhas

«- Aquele é o "Jota"

- "Jota" de quê?

- Agora que me perguntas, não sei. Sempre o conheci como "Jota". E já o conheço há muitos anos.»

 

Este diálogo é inventado sobre uma situação semelhante a que assisti. O nome verdadeiro de uma pessoa não é o que conta para se ser amigo ou não dela. Mas imaginem que havia uma situação em que precisavam de testemunhar a favor (ou contra), o que iam dizer? "É o Jota"?

A mim faz-me um pouco de confusão. Se calhar sou eu que sou esquisita...

 

 


publicado por Cris às 11:36
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Sábado, 25 de Março de 2017

Os odiosos

«Há pessoas que vêm a este mundo para serem amadas. Outras para amarem.

Muitas, para passarem despercebidas, maltratadas, ignoradas, na presença de um amor sempre ausente.

Umas sentem a felicidade, outras vivem na tristeza; umas sentem prazer pela vida, outras desprezam essa dádiva e partem.

Não há indiferentes, inertes e indolores.

Mas há os que cá vieram para serem odiados. Por serem maus ou simplesmente por ignorarem os sentimentos alheios, como se fossem o que de mais importante emergiu à superfície da terra. Para gerarem o caos e nos deitarem por terra. Tu és um desses. E nada fará mudar a tua natureza. E não há justiça terrena capaz de te fazer pagar pelos fios rasgados nas entranhas de quem anulaste. As palavras que me jogaste com incertezas, magoam-me com uma profundidade certeira, que me atingiu por volta do coração. Nunca voltarei atrás. Se estou viva, é porque ainda não morri. O que sinto por ti é simplesmente ódio. Não o nego. Que tenhas uma vida tão má como aquela que me deste, isto se houver algum laivo de justiça neste mundo.»

 

in Voltas?, Teresa Klut, arca das letras editora, 2006, pp.46-47


publicado por Cris às 08:21
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Naufrágio

«Sabes, não te amo, nunca te disse, e acho mesmo que nunca te vou dizer. Gosto que me ames, é confortável, mas já não acredito no amor, acho mesmo que já nem no teu amor acredito.

Não sei se é isto que quero dizer, nem sei se é bem isto que estou a sentir, mas estou cada vez mais ácida, não sentes nos meus beijos o travo a um verde limão e lima cortado por gin. Perdi o sabor a cerejas maduras e o aroma a searas de trigo de fim de Verão e a hortelã, eu, que punha hortelã em tudo.

A vida não me tem sido fácil. Dizem que as coisas têm um sabor diferente quando lutamos por elas, mas já estou farta, ou basicamente decepcionada, para lutar. Ficou um sabor que chega a provocar-me náuseas, enjoos e dores no estômago, naufraguei no meio da vida, sou arrastada, ainda nado, mas sem saber para onde vou, mas sem saber se vou para terra.

A vida nunca te enjoou. Gostas de tudo e nem perguntas porquê. Talvez seja esse o meu problema, a necessidade constante de saber o porquê das coisas. Porque é que o céu é azul, o mar é azul, os teus olhos são castanhos, e as minhas lágrimas, carregadas de desilusão são simplesmente transparentes. Na vida, nada é constante, e eu não posso ser diferente.

O Professor Agostinho da Silva dizia qualquer coisa como: “ não devemos ter planos para a vida, para não estragarmos os planos que a vida tem para nós”. A coisa tem o seu quê de ironia, será que só me resta concluir que estive até este momento a remar contra a maré, por isso agora vai ser diferente, agora que naufraguei, agora que bati no fundo, agora que perdi o norte, agora, vou deixar de ter medo de andar à deriva em alto mar, vou deixar de ter medo de perder o controlo das situações, da minha vida, e que me levem as ondas para o chão que quiserem.»

 

In A Solidão dos Inconstantes, Raquel Serejo Martins (pp. 58-59)


publicado por Cris às 19:35
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Pecados de...

Eu e a minha mãe ao passarmos por uma confeitaria que denominada "Pecados de Cereja"

Mãe: - Pecados dos anjos...

Eu:  - Foi a cereja! A culpa é da cereja. Deixa os pobres dos anjos em paz!

 

Resultado: Risota


publicado por Cris às 15:48
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Domingo, 1 de Janeiro de 2017

E agora 2017?

O que me vais reservar? Agradecia que tivesses um pouco de compaixão e me desses algum descanso este ano. Vê lá se me tratas bem. E já agora, podias fazer o mesmo pela minha família e amigos. Pronto, sem querer exagerar, também podias dar um jeito a este mundo...

 

 

 


publicado por Cris às 20:14
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016

Mas qual é a deles? #1

De andarem a pôr frango fumado, ou lá que raio é aquilo, nas pizzas? Não sabe a frango, meus senhores! É uma valente porcaria e fica-se a chorar o dinheiro que se gastou com expetativas goradas!!! É mais um alimento "plástico" que vou evitar, com certeza. Já não se fazem pizzas como antes...


publicado por Cris às 19:48
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Sábado, 26 de Novembro de 2016

Visitando os monumentos de Braga: as Urgências do Hospital de Braga

Pois é, hoje decidi que estava em falta a visita a este monunento. Bom, a decisão não foi bem minha, mais uma obrigação. A senhora minha mãe caiu hoje de manhã e bateu com as costas e só me disse à hora do almoço, porque estava a tremer muito e eu perguntei-lhe se estava com frio e lá me contou que lhe doíam as costas porque tinha caído (raio da mulher que tenta sempre esconder-me tudo!). Ora, quem já me conhece do outro blog sabe das lutas que eu travo com a minha mãe para que ela vá ao médico. Hoje não foi exceção. Lá tive que usar chantagem psicológica para a convencer a ir ver se tinha algo de grave. Desta vez disse-lhe que se ela tivesse algo e eu não fizesse nada poder-me-iam acusar de negligência. Convenci-a. E lá fomos nós em excursão. Fomos muito bem atendidas, diga-se. Também ajudou o facto das urgências estarem relativamente calmas. E em apenas duas horas estava o assunto resolvido: felizmente não tinha nada partido e é "apenas" uma nódoa negra e dores para uns dias. É claro que eu experimentei a máquina de bebidas quentes  lá do sítio e é claro que ela me ficou com o dinheiro e eu sem bebida!


publicado por Cris às 19:35
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

«Labirinto Ou Não Foi Nada»

Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira, in "À Guitarra e à Viola"

Música: Francisco Viana


publicado por Cris às 08:00
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