Sábado, 29 de Outubro de 2016

A vingança da pomba

Ontem, a caminho de casa, uma pomba presenteou-me com as suas excreções bem em cima da minha cabeça limpinha! Será que me devo sentir lisonjeada? Nada me tira da cabeça que, como me encontrava perto de casa, era uma daquelas pombas que costumo enxotar quando se pavoneiam nos peitoris das janelas, as atrevidas! Essas ratazanas com asas quiseram, portanto, vingança!

Chegada a casa, só não esfreguei a cabeça com lixívia, porque a probabilidade de ficar sem cabelo era muito grande.

Lembrem-me para comprar uma pressão de ar. Acho que vou começar a vender arroz de pombo...


publicado por Cris às 22:04
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Domingo, 23 de Outubro de 2016

Manifesto anti-rêgo do cu

Já perdi a conta ao número de vezes em que as pessoas, sem ter intimidade com elas, teimam em agredir-me o olhar mostrando o rêgo do cu. Ontem, o copo transbordou! Estou farta de ver tais espectáculos sem pedir. Querem usar calças de cintura baixa? Comprem cuecas de gola alta, usem camisolas compridas, um simples cinto, qualquer coisa que impeça que eu assista a algo a que não quero assistir. Digo-vos: isso é de um mau gosto atroz! Por último, faço um apelo aos designers de moda: parem de desenhar semelhantes coisas! Se eu vivesse nos Estados Unidos, já vos tinha processado a todos!

Tenho dito.


publicado por Cris às 13:34
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Afinal, o que significa ser médico?

Caso 1

Passou-se comigo há uma montanha de anos. Um dia, acordei no meu quarto com uma ferida na cabeça, os lençóis cheios de sangue, sangue no chão e, no entanto, não me lembrava de ter batido com a cabeça ou, sequer, de me ter doído. Nesse mesmo dia fui à urgência do hospital e expliquei o que se tinha passado. Pergunta da senhora doutora:

- A menina está a estudar?

- Sim, sou estudante. - respondi prontamente, sem perceber o que o cu tinha a ver com as calças.

- Ah, então isso é do sistema nervoso, é do stress! - respondeu sabiamente a senhora doutora.

Eu fiquei com a cara que vocês imaginam e vim embora com o mesmo conhecimento com que entrei: nenhum. Aliás, minto: percebi que a senhora doutora não tomou a devida atenção ao meu caso, sabe-se lá porquê (cansaço e consequente falta de pachorra, desconhecimento, ou, a minha preferida, estar literalmente a borrifar-se porque dali a 15 minutos acabaria o seu turno).

Durante o ano e meio seguinte continuei na mais perfeita ignorância sobre o que me tinha acontecido. Até que um dia acordo no hospital com a minha mãe a perguntar-me como me chamava e outras perguntas de praxe. Tinha tido um ataque epilético. Estava encontrada a razão e feito o diagnóstico. Por acaso, não se tratava de nada de grave, mas podia ter sido...

 

Caso 2

Conheço uma senhora que fez uma intervenção cirurgica que, normalmente, é simples. Seria, se o médico que a operou não fosse como um elefante numa loja de cristais: fez merda! E, soube-se depois, era costume fazê-lo! A senhora sofreu com infeções que nunca mais acabavam durante tempos infinitos. Entretanto, perdi contato e não sei como está (espero que bem!). A questão que eu coloco aqui é: se o médico já tinha por costume fazer "gracinhas" destas, porque continuavam a deixá-lo operar?

 

Caso 3

Este é recente e também mete a questão do stress e do sistema nervoso ao barulho. Uma pessoa é operada, tem alta, vem para casa e começa a sentir-se mal. Dirige-se ao hospital. Ora, diz a lógica da coisa (ou serei muito ignorante) que a probabilidade do mau-estar se dever à operação é grande, mas a conclusão do(s) médico(s) é a de que o paciente está muito stressado e foi por isso que se sentiu mal uma, duas, três, quatro e mais vezes e, de cada vez que se dirigia ao hospital, era sempre do stress. No final sofreu um avc, consequência de algo que não correu bem no pós-operatório e que o(s) doutore(s) se recusaram a sequer pôr como hipótese. Agora vai ser uma longa e dura recuperação para alguém que poderia estar bem, se tivesse havido mais discernimento e cuidado.

 

Há muitos outros casos que, ao longo da minha vida, fui testemunhando. E é algo que me leva a desacreditar bastante na figura do médico. Afinal, o que significa ser médico? Será que são os alunos mais aptos que vão para medicina, quando a entrada se baseia num numerus clausus? Além das notas, não deveria haver avaliações psicológicas e de aptidão para que, quem quisesse ser médico, o fosse por verdadeira vocação? E quem é que vai para médico? Será que é porque acham que têm emprego, será por pressão familiar? Será por status? Quem é que vai por verdadeira vocação? Quantos se interessam verdadeiramente pelos doentes?

Já sei que os médicos e todo o pessoal de saúde trabalham muitas horas, em condições duras. Mas, neste momento, só quero perceber o que é que importa a um médico.

 


publicado por Cris às 19:37
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