Domingo, 20 de Novembro de 2016

«Um poema que irás odiar»

Deixa estar que lavo,

Deixa estar que eu faço.

(deixa estar)

Que eu vivo para te roubar os dias.

 

Deixa estar que eu conto,

Deixa estar que eu mudo.

(deixa estar)

Que serei eu a tua vítima de honra.

 

Deixa estar que eu tento,

Deixa estar que consigo

Que as lágrimas te sejam amargas.

 

Deixa estar que chego ao fim,

Deixa estar que sofro,

Deixa estar que escrevo (todos os dias)

Um poema que irás odiar.

 

in Diálogo de Vultos, Fernando Ribeiro, edições quasi


publicado por Cris às 09:04
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Não fui eu que escrevi isto!

«Deita-te nua de ti

No mármore frio do meu corpo.

Teus olhos fechados sobre o eclipse dos meus.

 

Seca os teus lábios

Nas feridas dos meus

E deixa-te estar quieta:

Até estas palavras passarem,

Até às sombras se calarem

E o nosso amor silenciar de vez

Este diálogo de vultos.»

 

 

in Diálogo de Vultos, Fernando Ribeiro


publicado por Cris às 21:21
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