Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Afinal, o que significa ser médico?

Caso 1

Passou-se comigo há uma montanha de anos. Um dia, acordei no meu quarto com uma ferida na cabeça, os lençóis cheios de sangue, sangue no chão e, no entanto, não me lembrava de ter batido com a cabeça ou, sequer, de me ter doído. Nesse mesmo dia fui à urgência do hospital e expliquei o que se tinha passado. Pergunta da senhora doutora:

- A menina está a estudar?

- Sim, sou estudante. - respondi prontamente, sem perceber o que o cu tinha a ver com as calças.

- Ah, então isso é do sistema nervoso, é do stress! - respondeu sabiamente a senhora doutora.

Eu fiquei com a cara que vocês imaginam e vim embora com o mesmo conhecimento com que entrei: nenhum. Aliás, minto: percebi que a senhora doutora não tomou a devida atenção ao meu caso, sabe-se lá porquê (cansaço e consequente falta de pachorra, desconhecimento, ou, a minha preferida, estar literalmente a borrifar-se porque dali a 15 minutos acabaria o seu turno).

Durante o ano e meio seguinte continuei na mais perfeita ignorância sobre o que me tinha acontecido. Até que um dia acordo no hospital com a minha mãe a perguntar-me como me chamava e outras perguntas de praxe. Tinha tido um ataque epilético. Estava encontrada a razão e feito o diagnóstico. Por acaso, não se tratava de nada de grave, mas podia ter sido...

 

Caso 2

Conheço uma senhora que fez uma intervenção cirurgica que, normalmente, é simples. Seria, se o médico que a operou não fosse como um elefante numa loja de cristais: fez merda! E, soube-se depois, era costume fazê-lo! A senhora sofreu com infeções que nunca mais acabavam durante tempos infinitos. Entretanto, perdi contato e não sei como está (espero que bem!). A questão que eu coloco aqui é: se o médico já tinha por costume fazer "gracinhas" destas, porque continuavam a deixá-lo operar?

 

Caso 3

Este é recente e também mete a questão do stress e do sistema nervoso ao barulho. Uma pessoa é operada, tem alta, vem para casa e começa a sentir-se mal. Dirige-se ao hospital. Ora, diz a lógica da coisa (ou serei muito ignorante) que a probabilidade do mau-estar se dever à operação é grande, mas a conclusão do(s) médico(s) é a de que o paciente está muito stressado e foi por isso que se sentiu mal uma, duas, três, quatro e mais vezes e, de cada vez que se dirigia ao hospital, era sempre do stress. No final sofreu um avc, consequência de algo que não correu bem no pós-operatório e que o(s) doutore(s) se recusaram a sequer pôr como hipótese. Agora vai ser uma longa e dura recuperação para alguém que poderia estar bem, se tivesse havido mais discernimento e cuidado.

 

Há muitos outros casos que, ao longo da minha vida, fui testemunhando. E é algo que me leva a desacreditar bastante na figura do médico. Afinal, o que significa ser médico? Será que são os alunos mais aptos que vão para medicina, quando a entrada se baseia num numerus clausus? Além das notas, não deveria haver avaliações psicológicas e de aptidão para que, quem quisesse ser médico, o fosse por verdadeira vocação? E quem é que vai para médico? Será que é porque acham que têm emprego, será por pressão familiar? Será por status? Quem é que vai por verdadeira vocação? Quantos se interessam verdadeiramente pelos doentes?

Já sei que os médicos e todo o pessoal de saúde trabalham muitas horas, em condições duras. Mas, neste momento, só quero perceber o que é que importa a um médico.

 


publicado por Cris às 19:37
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